Pedaços de mim

Posted by Cilla Adriana | Posted in | Posted on 22:02

Sumir dentro de mim
Inerente tristeza sem fim
Almejando felicidade plena
Diariamente me envenena

Caixão e cadáver em seus devidos lugares
A vida e a morte sublinhando pares
Água saindo de sua devida fonte
Futuro incerto e vista do horizonte

Praguejo e desejo
Nessa hora, teu beijo
Conforta-me e me acalma
Acalenta minh'alma

Respira meu ar aflito
Perfuma meu atordoado espírito
Embeleza o amor
Leve-me para onde for

Luz do presente. Presente do meu futuro.

Posted by Cilla Adriana | Posted in | Posted on 21:29

Caminhando por um mar sombrio
Procurando a luz enxergar
Tropecei em pedregulho vil
Entreti-me com o seu pisar

Horas a obsoletar
Pseudobrilho a desfalecer
Desgaste, desgosto no olhar
Contentamento com projetos de benquerer

O genuíno estaria por vir
O vosso, o meu... O nosso.
O estado de apatia estaria a partir
O meu, o nosso... O vosso.

Claridade enfim encontrei
Ondas brandas, de harmoniosa serenidade
Encantada, teus lábios beijei
Desejo, afeto, vontade.

Não tens mais de mim em ti, se assim supor
Pois somos hoje mais que o mesmo ser
Acrescido de esplêndido e cândido amor
Pintado de azul no amanhecer

Soquista, Sadoma.

Posted by Cilla Adriana | Posted in | Posted on 09:58

Me sentia, indiferente
Tornou-se tão ausente
Inatingível, inalcançável
De arrogância detestável.

Meu sadomasoquismo
Te amei além da vida.
Coloquei-me em um abismo.
Excluí-te seguindo a lida.

Superação

Posted by Cilla Adriana | Posted in | Posted on 21:31

Mundo virado
Mentiras à parte
Deite-me de lado
Aprecie esta arte

Aqui está a sobra
Do retalhado coração
O resultado de sua obra
Em meio a tanta ilusão

Aparentemente frágil
Supostamente perfeita
Talvez fosse mais ágil
A dor que a ferida sustenta

Destruindo-me por dentro
Deixando-me sem voz
Com a velocidade do vento
E sua invisibilidade atroz

O pesadelo acabou
Ou apenas começara?
O casulo desmoronou
E desprotegida ficara

Já é tempo de se fazer
Aquilo que nos foi ensinado
Superar, refazer
O coração despedaçado.

Querido Morfeu.

Posted by Cilla Adriana | Posted in | Posted on 17:38

Abraça-me, Morfeu.
Aprecie esta nova alma que se mostra apoderada de ti.
Proteja-me, Morfeu.
Deixe-me inconsciente e desapareça com toda a dor pela qual vivi.

Beija-me, Morfeu.
Aguça meus desejos e abafe meus longos e ordinários prantos.
Deseja-me, Morfeu.
Como por alguém não o fui, apenas mais um de seus desencantos.

Agora está tarde, quero apenas este descanso.
Eterno dormir, minhas pálpebras a se fechar...
Mostro-me pronta com teu sussurro manso,
Para mais um profundo e longo suspirar.

Falando em desalinho

Posted by Cilla Adriana | Posted in | Posted on 21:49

Talvez lesse risos em teus choros outrora.
Quão louca sou por tanto te querer?
Devorando meus anseios na madrugada morna
Nessa angústia sigo de tua vida viver.

Esqueço de mim quando penso em ti,
Aqueço a mim quando te imagino.
Nessa contradição falo em desalinho
Como quem simplesmente não está em si.

Mas em mim não estou se tua vida persigo
Se da minha esqueço, neste caminhar.
E neste sufoco, crio um abrigo
Para o coração não se machucar.

E abrigo torna-se qualquer ombro amigo,
E a minha promessa de não mais pesar.
De não mais deixar o meu eu ferido,
De esquecer tão logo essa dor de amar.

O sorriso da criança

Posted by Cilla Adriana | Posted in | Posted on 12:35

A criança sorria, ria, sorria...
Não entendia o motivo de tanta alegria
Olhava ao redor, e percebia a escuridão
Mas o claro, a criança via, e ria, sorria...

Esse ingênuo som
Essa doce imagem
Assim como tudo o que é bom
Como uma bela paisagem

Era ver a criança rir, tão contente
Era pensar que naquela mente
Nada era indecente
Nada era displicente

Era uma criatura tão pura quanto a verdade
E ao lembrar do mundo a maldade
Uma lágrima de meu olho esquerdo caia...
E a criança só sorria, ria, sorria...

Lábios

Posted by Cilla Adriana | Posted in | Posted on 10:07

É inevitável pensar em ti
E em como nossas vidas se encontraram
Em como minha alma sorri
Quando juras de amor teus lábios falam

Esses lábios que me beijam
Nesse ou em qualquer outro entardecer
Esses lábios que desejam
Encontrar-se com os meus, com prazer

Mas onde estávas todos esses anos?
Como me deixaste com demasia sofrer?
Tanto chorei por grandes enganos
Antes de finalmente teu amor conhecer.

Demorado

Posted by Cilla Adriana | Posted in | Posted on 21:06

Eu fiz uma carta para o meu amor,
E nessa carta, explicitei toda essa dor.
Que dilacera meu pobre coração
Que sofre e espera, e é tudo em vão.

Talvez tudo o que falamos
O que sentimos e pensamos
Fora mera imagem montada
E tudo isso, para nada.

São meros devaneios
Tolos e sofridos anseios
Tornou-se uma doença
Essa de clamar por tua presença

Outros lábios eu beijei
Outros corpos, eu toquei.
Outros amores, eu tentei.
Veja só como eu errei

Pensei que fácil seria
Livrar-me dessa agonia
Dessa paixão que me sufoca
Que maltrata; que desloca.

Tentei esse amor findar
Tanto queria não me machucar
Mas era amor, e assim costuma ser.
Demorado... Para esquecer.

Dúvidas

Posted by Cilla Adriana | Posted in | Posted on 10:49

O que torna esse coração tão aflito?
E essas mentes, consideradas insanas?
Seria essa química que em seus cérebros se ausenta?
Ou um infortúnio proveniente de um pecado estendido?

Dos primatas ou de Adão?
Por Darwin ou por Deus?
Onde estará a explicação
De tanto malefício para um coração?

Desconhecidos que habitaram essas terras
A fé que sustenta povos
Qual será a verdade para tudo?
Desse mundo de sonhos, choros e guerras...

Psicopatas, esquizofrênicos, ateus.
Psiquiatras, terapeutas, religiões.
Igrejas que enganam ou sanam
Esses medos aparentes nos olhos teus.

Nesse pedaço de papel
Junto idéias ou perguntas que não consigo responder
Talvez um dia tudo seja esquecido.
E sobrarão lembranças de um fictício inferno e céu.

Ou Deus me dirá para que vieram
Por que vieram e para onde irão.
E só me resta nesse abismo observar
Esses tolos ou sãos que tanto esperam.

Os apaixonados

Posted by Cilla Adriana | Posted in | Posted on 06:10

Os apaixonados se entreolham com ardor
Os apaixonados sentem um quase amor
Esse quase amor se transforma em dor
Se sem reciprocidade esse sentimento for

Ela quis um delicado beijo
Ele sentiu um grande desejo
E como um notável ensejo
Sentiram-se com grande pejo

Tímidas criaturas
Entrelaçaram-se, nuas.
E São Francisco pôde sentir
O amor que fizeram ali

Suas línguas juntaram-se
Formaram a união perfeita
Suas mentes modificaram-se
Da confissão que para ele fora feita

E como em um conto de fadas
Ele a pediu em casamento
Tantos anos depois
Veio o verdadeiro tormento

E o amor que ali acontecia
Era só por parte dela, uma injúria.
E os enamorados as xícaras quebraram
Despejando tanta fúria

E ele hoje se sente sozinho
Arrepende-se do caminho
Que atordoado resolveu seguir
Agora é tarde, ela não está mais ali.

A política do amor

Posted by Cilla Adriana | Posted in | Posted on 08:27

A política do amor não é justa, nem sensível. Principalmente para as mulheres. Amamos, apaixonamo-nos e omitimos tantas coisas... Se estivermos com saudades, tentamos nos conter e controlar a emoção ao ver a pessoa amada. Dizemos para nós mesmas: não demonstra felicidade, mostre que pouco se importa! Mas não é verdade... Ela chorou a noite inteira por causa daquele término de namoro, que ela mesma colocou um ponto final! Disse que não dava mais para ser daquele jeito, que ele devia lhe dar mais atenção! Tentou provoca-lo e disse: você vai me perder, é melhor terminarmos... É claro que ela não queria terminar nada! Ela queria que ele correspondesse ao amor dela, que fosse mais carinhoso... E ele aceitou o término, e nem ao menos se importou. E ela chorou a noite inteira, sonhou com ele. Pensava nele no trabalho, no cursinho, enquanto fazia as unhas... E ele estava na balada, tomando uma cerveja e passando a mão nas coxas de uma mulher qualquer. Ela era linda e ele a achava gostosa. Ela teve uma recaída e pediu para voltarem. Ele aceitou, por que não? E a mesma história se repetia... Não só nesse lar, mas em outros tantos lares. E não importava tanto a sua idade, os pensamentos não são tão diferentes... Talvez os jovens tenham a tendência de serem fatalistas e se apegam com facilidade. Mas também desapegam com a mesma facilidade. Aquela mulher que já está chegando nos seus 40, casou e se divorciou, “ele era muito safado, me traía com a empregada”, dizia ela. “Mas ele me deixou uma gorda pensão”. “Ai, amiga, pelo menos isso, né?! O safado do Robervaldo nem isso fez; o imprestável não tinha onde cair morto; perdi 10 anos da minha vida!!!”. E ela decidiu procurar a Internet, afinal, está na moda. Entrou em um dos tantos bate-papos que existem e achou um homem perfeito. Tinha olhos azuis, corpo escultural e uma gorda conta bancária. Marcaram um encontro... “Mas o que diabos é fake webcam?”. Tadinha... Não tinha tanta experiência com a Internet, revoltou-se e decidiu tentar algo mais tradicional: foi a um encontro marcado por uma amiga que já estava casada e feliz e tinha um ex-paquera que estava “na seca”. Sentiu-se humilhada, mas achava que não havia mais alternativa. (Quero deixar um “P.S.” aqui que não há generalização, essa estava realmente desesperada, aliás, todos somos um pouco desesperados... Apenas alguns têm sorte e outros nem tanto... Alguns têm dinheiro e outros nem tanto...). Essa teve sorte, Dona Júlia disse que estão casados até hoje. Ele é um tanto quanto alcoólatra, mas Dona Júlia disse que já está no AA, é um sucesso por lá. Ai... A vida... Aquela garota de 11 anos ainda não gostava de namoros, achava que era nova e queria estudar... Mas as amigas gritavam quando viam o garoto mais lindo e popular do colégio, fazia o 3º ano do ensino médio. Ela se sentiu envergonhada e decidiu arranjar um pretendente. “Aquele ali, é um gato e mais velho, adoro!”. Uma vez o cara chegou perto dela e a chamou para irem ao cinema, pois sua amiga mais velha, super descolada e que já tinha um corpo de mulher disse a ele que ela estava “afim”. Coitada, ela saiu correndo...
“Ai, ele beija tão mal...” “Nossa, que menina abusada, quis dar em cima do meu namorado, eu não deixei, dei um tapa na cara dela pra deixar de ser vaca!”. Essas mulheres... Por que tantas não se valorizam e deixam o orgulho de lado por causa dos homens? Ok, não posso dizer que todos não prestam, seria feminismo demais. Aliás, tenho a teoria de que eles só prestam quando estão apaixonados, ou alguns deles... “Nossa, que homem lindo e super educado, queria um desses...”. Era gay. Até nisso os homens levam mais vantagens!
Mas não se preocupe; um dia aquela blusa velha que ele não usa mais estará em seu corpo depois de uma noite de amor. E estarão brigando porque a escola do filho mais velho é muito cara e ele gasta toda a mesada na lan house. E estarão completando 10, 20, 30 anos de casados... Os netos chegarão e com eles será desse mesmo jeito. E assim a política do amor acontece. Sofrida, estressante, mas gratificante e recompensadora. Que nos faz evoluir como seres humanos, afinal, a vida não teria graça sem ela.

O tempo

Posted by Cilla Adriana | Posted in | Posted on 12:27

O tempo... Ah, o tempo diz muita coisa sobre tudo! O que seria do Brasil sem seus mais de 500 anos de história? As evoluções científicas; a tecnologia que avança a cada instante; as leis criadas na tentativa de minimizar os problemas sociais que surgiram há muito tempo atrás, antes mesmo de nosso país ser descoberto. Mas isto não é um texto dissertativo-argumentativo, nem espero que me dês uma nota decente. São pensamentos, aquelas vagos, cheios de sentimento... Ah, meus sentimentos por ti são incalculáveis. O dia em que te vi, o momento em que olhei em teus olhos, o ontem em que sonhara que beijava teus lábios. Tempo, tempo, tempo! O tempo que nos aproxima, nos separa. O tempo é o culpado! Maldito tempo! Mas o que seria o tempo? Seria beijo? Ou minhas mãos sobre o teu corpo? Ou o meu sorriso que transparece imensurável felicidade ao te ver? Quando sinto o amor, não penso em tempo, não vejo obstáculos, não quero dor. O tempo não é desculpa plausível para nada! Nada nos impede! Nada impede que me ames, meu adorado. O muito que viveste mescla-se à minha pouca experiência. Não subestimes meu dom de felicitar!

Gozaremos da vida, juntos, independentemente de qualquer imbecilidade. E faremos do maldito, um bendito tempo, adicionaremos ao mundo, no tempo que nos restar, a tua capacidade de compreender e a minha ânsia de te amar.

A prostituta

Posted by Cilla Adriana | Posted in | Posted on 13:35

Se Deus realmente existe
Que a faça crer em bondade
Que a faça crer no amor
Que faça de seus sonhos, realidade.

Se Deus realmente existe
Que torne sua vida feliz
Que transforme a torturada meretriz
Em uma dama de verniz.

E essa dama de verniz,
Que seja bela e honrosa
Que seja, também, cheirosa
Que a voz soe majestosa.

E essa voz há de gritar
Há de espernear, há de falar
Há de dizer o que tanto teme
Porque tanto geme,
Porque tanto treme.

Essa meretriz tem um coração
E não é em vão
Que tanto perde a razão.

E para essa mulher sofrida
Sobrou esta vida
E sem dignidade segue a lida.

Apertou-lhe o coração sufocado
Que de tão maltratado
Viu-se abusado.

Decidiu acabar com aquilo
E com apenas um tiro
Livrou-se do martírio.

Inatingibilidade

Posted by Cilla Adriana | Posted in | Posted on 11:56

O que pulsa na tua veia, a tua pálpebra sensível,
é este o meu amor, que me domina, inatingível.
O teu sangue escorre, por mim, por todos nós.
Tua boca, minha língua, teu sussurro, minha voz.
Temes que o amanhã não chegue, sentes frio, acoberta-te.
Pede meu manto natural, possuinte do meu bem e mal.
Tens a audácia de achar que todos sentem desejo por ti.
Quase como um sofrimento, todos sentem, na tua percepção, ao te ver partir.
Escondendo a amargura da solidão que te fere todas as noites - frias, vazias, sem destino certo.
E te recebe como uma mãe que aceita o filho prodígio, meu peito, todo aberto.
Tão seca é a tua saudação comigo.
Aflige-me e distorce meu libido.
Habituo-me com a tua imensurável beleza, com teu olhar calmo, proveniente de tantos mistérios.
Assemelho-o a Veneza, onde as águas estão mescladas, como o meu sentimento perante ao teu, diamante raro, de poucos minérios.
Assim, acomodada em apenas te desejar,
sinto de longe essa vontade que me corrói, de todas as noites te beijar.
E deixo nas entrelinhas o quanto amo cada detalhe pertencente a ti.
E deixas tão perceptível em tua vida, a falta de importância em eu nela existir.

Conformismo

Posted by Cilla Adriana | Posted in | Posted on 07:30

Já me conformei em ser o cúmulo da sensibilidade. Mas que mal há? Pergunto-me se todos não deveríamos ser mais adeptos ao amor, independentemente de consequências, como o próprio sofrimento. Mas não há de sofrer mais ao temer não se apaixonar? Ou o que dirá dos não-amantes em suas vidas banais, sem imagens montadas ou reais para, em uma tarde fria, suspirar? Confesso que nós, românticos, sentimos na pele o quanto o mundo caótico e frio - assim tornou-se - torna incompreensíveis estas demonstrações de afeto, carinho e sentimento à flor da pele. Valha-me Deus! Onde estará aquele ser que me complete?